14 setembro 2009

cidade sentida

“ Ó tá nevoêrro, ó robarem a Trróia ! “
"Má fea qum batelão da Secil !"

in dialecto sadino mais recente
Fonte: um setubalense nascido e criado (obrigada BJ)



Tenho com Setúbal uma relação parecida com a que tenho com Almada, sou-lhes filha por empréstimo - uma foi o meu distrito, outra o meu concelho - mas nunca as considerei cidades na verdadeira acepção sentida da palavra, talvez porque durante anos vivi sempre o mais à beirinha possível do Tejo, pulando diariamente para Lisboa.

Antes que comecem a insultar-me, calma; Setúbal e Almada são cidades dignas desse nome, com vida e cultura próprias, e com a maravilhosa particularidade de partilharem as praias da Costa Azul (mesmo que agora se diga que robarem Trrroia).

Mas as cidades são para ser vividas ou distantes. Ou se vivem intensamente, ou estão longe de nós e queremos ir visitá-las, cheirá-las e imaginar como seria lá morar. Ora, Setúbal e Almada sempre estiveram demasiado perto e eu nunca as vivi como minhas. Não foram nunca cidades pensadas por mim enquanto tal.
Setúbal foi sempre o sítio ao lado, desde criança uma passagem para o Portinho da Arrábida ou para Tróia, ou um spot gastronómico onde se come choco frrrito e bom peixe fresco. Setúbal é, no fundo, uma cidade aonde tenho ido sem a fazer cidade e sem me fazer a ela enquanto cidade.

Lisboa sempre esteve perto. Vivo dentro dela. Vivi por duas vezes antes desta em permanente competição com a Caparica. Mas nunca nem hoje a senti aqui. É um lugar que está para além da sua condição terrena e existe antes de tudo na minha cabeça.
Aquilo que verdadeiramente amamos temos de o sentir longe, mesmo que cheguemos lá em cinco minutos. Só a sensação do longe nos faz querer estar sempre à beira do salto, ainda que saibamos exactamente onde vamos cair.

2 comentários:

Bruno Júlio disse...

Apá miga tá bem dite, tá ãh!...

Maldonado disse...

Setúbal é uma bela cidade, que infelizmente está marginalizada pelo poder central. :|